“Política se faz com ideias e pessoas”

Vicente Loureiro foi o palestrante da reunião on-line Papo Sério com Miguel Ribeiro realizada no dia 13 de julho, às 20h. Mais de 106 pessoas assistiram à palestra que também contou com a presença do presidente nacional do Cidadania 23, Roberto Freire, da ex-deputada Federal pelo Rio de Janeiro, Ana Maria Rattes, e do empresário de Nova Iguaçu, Antonio Alpino.

Miguel Ribeiro agradeceu a presença dos convidados e antes de chamar o presidente nacional do Cidadania 23, disse que Roberto Freire sempre foi comprometido com o Brasil e por isso ele (Roberto Freire) se tornou um espelho para o Miguel desde a época da militância política na juventude. “Eu lembro de quando você (Roberto Freire) falava dos motivos que fizeram nos afastar do governo que ajudamos a eleger, pois você identificou uma mudança de paradigma, do caminho que havíamos pensado trilhar. Tenho muito orgulho desse posicionamento”, relembrou.

Roberto Freire, que foi o primeiro a falar, fez um panorama do novo cenário das campanhas eleitorais, com as tecnologias digitais e de informações, e afirmou que ainda é necessário buscar o crescimento e melhorias para uma sociedade mais justa. De acordo com ele, o Estado se mostra incapaz diante de problemas ligados ao saneamento básico e que é lamentável esta questão ainda ser discutida hoje em dia. “Não tivemos um Estado que trabalhasse para uma sociedade mais justa. Ainda lutamos por saneamento básico hoje em dia. Isso é um descaso. Nós temos um sistema de redes da computação que pode até mesmo manipular a opinião das pessoas, porém, mesmo com toda essa tecnologia, não sabemos identificar, por meio de informações e dados, quem são nossos pobres, nossos informais”, explicou.

Freire falou da proposta ideológica do Cidadania 23 e que o partido tem a visão de que o mundo está em constante evolução. “O Cidadania23 está integrado com a juventude, com a pluralidade das ideias, e quer ser um partido antenado com o presente e futuro e não com práticas que não tenham mais sentido”, finalizou.

Logo em seguida foi a vez do arquiteto e urbanista, Vicente Loureiro, que iniciou sua palestra dizendo que política se faz com ideias e pessoas. Segundo ele, em Nova Iguaçu existe um capital social (grupos e círculos sociais) que em função de um bem comum e por meio de uma organização pode ajudar a cidade a progredir.

Loureiro deu algumas ideias para um bom governo. Ele citou o exemplo que ocorreu durante a pandemia do Covid-19 na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, que desenvolveu meios para sobreviver mesmo com a falta de políticas públicas naquela região. “A comunidade se organizou e conseguiu diminuir o nível de mortalidade numa área muito difícil de realizar um isolamento social”, explicou.

De acordo com Vicente Loureiro, os governos que souberam ouvir as demandas da sociedade (do capital social) contribuíram para o crescimento da cidade. “A boa relação do governo com a sociedade e outras instituições, grupos, torna-se essencial para o sucesso de um projeto de transformação e melhoria da cidade”, explicou.

“Quem não conhece não ama”. Para Vicente Loureiro é essencial para a educação das crianças se elas aprendessem também nas escolas mais informações sobre a cidade de Nova Iguaçu, seus rios, afluentes, nascentes e áreas históricas. “A história da nossa cidade precisa ser mais explorada”.

Vicente Loureiro defendeu também políticas menos excludentes, diminuindo assim a distância social entre os bairros e o centro da cidade. Ele falou ainda da questão do saneamento, das construções serem mais orientadas e controladas e também da capacidade do município de gerar novas atividades e empregos.

O papel do Vereador

Miguel Ribeiro perguntou ao Vicente Loureiro qual a contribuição que o Legislativo possa fazer pela cidade, pelos bairros? “O grande papel do Legislativo é monitorar o Executivo e apoiar e levar ao Executivo as demandas da cidade. Estas são funções fundamentais e atuais. Eu vou dar um exemplo de maneira a evitar gastos na cidade: um movimento social em Maringá (Paraná) criou um observatório que acompanha os gastos da cidade (Universidade e Prefeitura). Esse movimento monitora e avisa essas instituições para terem mais cuidados com os gastos. O Legislativo pode fazer esse processo, não sendo punitivo, mas de forma orientativa. A prevenção é muito mais barata que a correção”, explicou.

Após a palestra, Vicente Loureiro respondeu às perguntas dos convidados sobre o potencial turístico da cidade e políticas para o resgate da história de Nova Iguaçu; Plano Diretor da Cidade; Importância do Espaço público no desenvolvimento econômico e cultural; melhor distribuição de água para outros bairros; crescimento da cidade.

Miguel Ribeiro agradeceu a presença de todos e antes de finalizar disse que é necessário estimular o sentimento de pertencimento, de amor pela cidade de Nova Iguaçu. “Não adianta exaltar outras cidades. Devemos valorizar a nossa cidade. Precisamos é trazer pessoas para visitar nossas riquezas. Eu ressalto que cada bairro tem potencial para ser investido. Temos poucos espaços públicos. As praças precisam ser ambientes de interação. Esta é uma das pautas que eu gostaria de levar para a Câmara, mas só terá vida essa pauta se nós tivermos capacidade de mobilizar a sociedade civil e os intelectuais iguaçuanos”, finalizou.

No dia 20 de julho teremos outra reunião on-line, às 20h. Em breve serão divulgadas mais informações.